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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Para minha mamãe

Olhei para dentro de mim
E me vi meio assim
Tão distante de mim
Sem saber para o que vim
Sem sentido enfim
Fugindo de mim
De nada afim
Nem mesmo a fim
De nada resolver

Mas lembrei de você
Seu jeito de ser
Como pude esquecer?
Fruto de você
E amo você
Vou lembrar de crescer
Por mim e por você
Pois já não dá para viver
Sem sorrir por você

Alegrei minha alma
Enchi-me de calma
No mar joguei palmas
Ri de tudo e de nada
Joguei fora a incauta
Não importa a falta
Porque hoje lembrei de lembrar de você
Adivinha o porquê
Porque amo você....





quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Das águas

Estou aqui, pés descalços. A areia úmida em meus pés. Largo os sapatos e a bolsa nem vejo onde. Agradeço ao silêncio que me permite ouvir cada batida, cada ida e cada retorno. Linda a força das águas à minha frente, que se aproximam e se arrebentam, e depois recuam como se acarinhassem a beira, formando contornos, desenhando espaços. Sinto-me atraída, puxada para perto. Quero tocar. fazer parte dessa dança que hora vem suave, sublime, e hora vem forte, explosiva. A água gelada toca meus calcanhares, sinto um arrepio correr o corpo. Molho o rosto, a alma. Entro assim como estou, jeans e blusa nova. Estou só, eu e meus pensamentos. Meu mundo inteiro que ficou lá fora. Sinto correr em mim uma corrente elétrica, sensações, gostos e sentimentos, todos juntos, inexplicáveis mas acontecendo dentro de quem eu sou naquele momento. A onda quebra em meus quadris. Quase perco o equilíbrio, bambeio, sorrio. Passo minha mão pelas águas e sinto a vida que vibra em mim. Volto para a areia e deixo meu corpo cair. O vento gelado também bate, sinto seu frio. Escorrego na areia e fecho os olhos, até que de novo venham as águas tocar em mim. Sinto-me leve, livre. Sinto o amor que há no mundo e em mim.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"Hoje quando olhei para o céu havia um pesado cinza. Muitas nuvens e o presságio de tempestade por vir. Raios, trovões, relâmpagos e elas, tão pesadas e cinzas. E veio a chuva. Um aguaceiro anunciado, essa água correndo e levando o que pelo caminho estava. Agora é tempo de esperar. Esperar passar a tempestade, o mar revolto. E não adianta chorar a velha negligência. O tempo é de esperar passar. Porque o sol volta, brilhando como sempre. E quando voltar, virá com ele o tempo de reconstruir, de acertar. Agora resta refletir e agir sem querer a força das águas parar. Elas destroem mas também limpam. Na verdade hoje choveu muito pouco lá fora. Mas dentro de mim, ah dentro de mim! Hoje vi tempestade cair.... "

domingo, 27 de janeiro de 2013

Duas mulheres


Existem em mim duas mulheres...

Uma selvagem outra mansinha
Uma que bem acorda quietinha
Que é do quarto e cozinha
E outra que quer o mundo mudar

Uma que assim fala baixinho
Canto da boca sorrindo
Que procura sempre o cantinho
Para despercebida passar

Mas olha tem essa outra
Quase que meio louca
Vem com risada solta
Prende cada olhar

Uma que é fagulha e é espinho
Passa pelo caminho
Como trem em seu trilho
Certa de onde chegar

Outra que é calma e carinho
Vem e vai rapidinho
Também sabe o caminho
Mas vive a duvidar

Essas duas mulheres
Seus ardores e reveses
Descobre qual é
Por cada olhar

Sim, em mim duas mulheres há...





quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Veritas

O que é que é mais do que há em mim?
De onde surgem essas verdades para que eu as aceite?
Tudo é de tantos modos e tantas são as formas
Que aceitação e escolhas são meras vaidades
Vejo o que você não vê
Porque o que vês em mim não existe
E o que não encontras é porque escondo em mim somente
O meu que não é o teu
E não te imponho para que a mim não forces
Livres somos em escolhas
Porém aprisionados à demanda também somos
Esse canto rouco que prendo
Minha verdade, não sua
Mas de que isso realmente importa?
Estamos.